Sindicatos discutem como enfrentar o desmonte das políticas públicas do Governo

13/03/2019 - 17:10

A Secretaria da Mulher da CUT-PB realizou, na terça-feira  (12), em João Pessoa, o Seminário “Bolsonaro piora a vida das mulheres: como fazer o enfrentamento do desmonte das políticas públicas?"

A Secretaria da Mulher Trabalhadora da CUT-PB realizou, na terça-feira última  (12), no auditório do SINTTEL, em João Pessoa,  o Seminário “Bolsonaro piora a vida das mulheres: como fazer o enfrentamento ao desmonte das políticas públicas?”. 


    A Secretária da Mulher Trabalhadora da CUT-PB, Luzenira Linhares, enfazitou que o  Seminário cumpriu com o  papel de foi mostrar as reformas danosas que estão em  curso, como afetarão com mais intensidade a vida da mulhere e as estratégias de enfrentamento. “Com a discussão qualificada de nossas palestrantes, que apresentaram um acúmulo de informações, inclusive com resgate histórico e análise de conjuntura, acredito que todas e todos nós saímos daqui capacitados para repassar para nossas bases e outras mulheres os riscos que estamos enfrentando com essa reforma da previdência e com todos os outros direitos que conquistamos. Vamos continuar levando esse debate para todos os espaços que atuamos”, afirmou.


    A atividade reuniu mulheres e homens dos sindicatos que compõem a base da central, dos movimentos sociais e dos partidos de esquerda como o PT, representado pelo vice-presidente do diretório estadual, Edvan Silva e pela Secretária de Mulher, Zezé Bechade, e o  PC do B, através da presidenta do Diretório de João Pessoa, Lourdes Meira. 
    O Seminário “Bolsonaro piora a vida das mulheres: como fazer o enfrentamento ao desmonte das políticas públicas? faz parte da programação da Jornada 8 de Março, que prossegue até o final do mês. Ainda consta na agenda da CUT para as mulheres em Campina Grande uma atividade da Secretaria de Comunicação, que consiste num debate     sobre a análise crítica da mídia e uma oficina sobre redes sociais, que será ministrada pela jornalista Elara Leite, diretora do Departamento da Mulher e da Diversidade Humana do Sindicato dos Jornalistas, no próximo dia 23.


Estratégias de enfrentamento


    Tereza Leitão, deputada estadual do PT pernambucano, ex-sindicalista e professora, juntamente com a Secretária Nacional de Mulheres do PT, a amazonense Anny Caroline, apresentaram um panorama da situação de retrocesso em relação às políticas públicas. Para elas, há sérios riscos de acabar de vez com os avanços conquistados, prejudicando especialmente as mulheres.


    A deputada do PT-PE destacou que no momento a questão mais urgente é a reforma da Previdência, que necessitará de uma posição unificada das bancadas de esquerda no Congresso Nacional a respeito de barrar a proposta ou apresentar emendas. De acordo com Teresa, muitos governadores até mesmo do campo progressista podem acatar essa reforma com a justificativa de previdência deficitária e temendo boicote de seus governos por Bolsonaro. “Tem que se pensar como nossos parlamentares vão se posicionar, eles com certeza devem atuar na interlocução”, opinou. 


    Ela afirma ainda que, como ação de enfrentamento, os movimentos sindical e social devem desenvolver forte articulação junto aos parlamentares para pressioná-los a barrar a aprovação da Reforma da Previdência como está sendo apresentada. 


    Tereza Leitão também fez referência às razões que levaram ao Golpe de Dilma e à prisão de Lula. “A questão Alcântara, o fim da ALCA, o fortalecimento do MERCOSUL, a independência do Brasil perante o FMI e os BRICS, enfim, a disputa geopolítica-econômica foi decisiva para a prisão do Lula”, explicou a deputada pernambucana. Ainda sobre Lula, ela diz: “Lula livre é a própria liberdade de nossa identidade”.


    Já a Secretária Nacional do PT, Anny Caroline, enfocou as desigualdades gritantes ainda existentes entre homens e mulheres, colocando como exemplo as instâncias de poder, principalmente no campo político. Conforme Caroline, a maioria das mulheres não consegue ainda espaço significativo nas Casas Legislativas e no Poder Executivo. “Isso não pode ser normal, o Projeto Elas por Elas surgiu com a preocupação de dirimir essa questão. É importante e justa a participação das mulheres na política, nos sindicatos e em todos os lugares; assim como não pode ser natural o índice elevado de feminicídio”, desabafou.


    Em relação a isso, a Secretária anunciou as ações da Secretaria Nacional de Mulheres do Partido dos Trabalhadores para o fortalecimento da luta e empoderamento das mulheres como a criação da Rede de Comunicação para Mulheres. Ela destacou a programação que está sendo pensada para marcar no próximo dia sete de abril um ano da prisão de Lula. “Vamos fazer um grande ato de resistência lá, mas a idéia é que ocorra atividade em todos os Estados”, revelou. Anny ressaltou também a importância da unidade nos movimentos de resistência ao Governo, embora acredite que essa construção deve ocorrer naturalmente na luta, através do diálogo.